Publicado em: 11/05/2020

Estresse e ansiedade em leitões pode ser resultado de alterações epigenéticas em machos suínos, transferidos pelo sêmen à sua progênie. Esse é um dos apontamentos feitos por pesquisa inédita, a qual avalia as condições de bem-estar ou de estresse de reprodutores suínos e as possíveis modificações epigenéticas nos gametas. O estudo, que conta com a participação da empresa de genética suína Topgen, demonstra possíveis influências nos aspectos comportamentais e fisiológicos na prole, como maior agressividade.

Segundo os pesquisadores, situações de estresse vividas pelo macho podem modificar epigeneticamente seus gametas durante o processo de espermatogênese e de trânsito do epidídimo, transferindo essas alterações para a próxima leitegada, independente da questão materna. Aliás, este é ineditismo da pesquisa, o uso de animais machos para estudo, haja vista que na maioria dos estudos são analisados comportamentos maternos, devido a relação de maior intimidade entre as fêmeas e sua prole.

De outro lado, a pesquisa também ressalta o suíno como um importante modelo animal para estudos cognitivos ligados à saúde humana onde, por analogia e modelo aplicável, pode-se afirmar que “o impacto do estresse do pai sobre as características dos espermatozoides pode determinar o comportamento dos filhos”, sugerem os pesquisadores.

Na pesquisa desenvolvida pelo Centro de Estudos Comportamentais em Saúde, Sustentabilidade e Bem-Estar (CECSBE), ligado ao Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP), em Pirassununga (SP), foram usados 27 cachaços que tiveram seus sêmens coletados em três diferentes sistemas de manejo de 9 machos cada, aplicando-lhes circunstâncias e condições distintas de estresse ou bem-estar.

O foco dos estudos são questões ligadas à resiliência dos suínos, que se ajustam facilmente às circunstâncias do ambiente. Isso evita disputas agressivas que resultam em perdas de peso ou lesões nos animais. Já o estresse, por sua vez, pode levar ao medo e à ansiedade.

Até o momento, as evidências científicas do estudo apontam que há a possibilidade da hereditariedade de características epigenéticas para as gerações futuras, sendo que os animais analisados foram submetidos a vários testes de comportamento social, memória, medo, ansiedade e emoções positivas.

Os estudos de campo já foram finalizados e agora o projeto entra na sua fase de análises laboratoriais e de argumentações dos resultados, devendo estar finalizado até o início do segundo semestre de 2020.

Quanto à participação da Topgen Genética Suína nas pesquisas, os responsáveis pela empresa ressaltam a oportunidade de poderem contribuir para a realização de estudos dessa natureza, conduzidos por instituições respeitadas, como a Universidade de São Paulo (USP). Também, acreditam ainda se tratar de uma oportunidade para comprovar a qualidade dos animais com a genética Topgen, que se destacam pela docilidade nas fêmeas e machos, fator determinante para uma boa ambiência animal, com exemplares de fácil manejo, o que garante grande rentabilidade e desempenho aos produtores que optam por esse tipo de genética suína em suas granjas.


Topgen participa de estudo inédito sobre o comportamento de machos e efeitos na prole